domingo, 31 de maio de 2026

A Infiltração das Facções No Setor Formal

 Infiltração de facções no setor formal tira R$ 39 bilhões da indústria por ano e eleva risco de sanção americana

Avanço sobre atividades lícitas assusta empresários e autoridades. No Rio, Coaf identificou R$ 44 bi em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses

Pejotização' do crime: infiltração de facções no setor formal tira R$ 39 bi da indústria por ano e eleva risco de sanção dos EUA

Avanço sobre atividades lícitas assusta empresários e autoridades. No Rio, Coaf identificou R$ 44 bi em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses

Uma rede de 60 motéis no interior de São Paulo chamou a atenção de autoridades pela aquisição de bens inusitados: um iate de 23 metros, um helicóptero, uma Lamborghini e mais de R$ 20 milhões em terrenos. Com faturamento de R$ 450 milhões em quatro anos, a distribuição de lucros ainda engordou o caixa dos sócios em R$ 45 milhões. Operação policial revelou que a rede fazia parte dos negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC), assim como lojas de franquias e empreendimentos imobiliários. Outra investigação mostrou que empresas com envolvimento com a facção criminosa paulista passaram a controlar um dos terminais do porto de Paranaguá (PR), um dos maiores do país. O espaço tem cerca de 85 mil metros quadrados e 18 tanques para armazenagem de granéis líquidos. Os exemplos evidenciam um fenômeno ganha escala no país: a infiltração do crime organizado na economia legal. Afeta vários setores e já chega à indústria, que responde por um quinto da riqueza do país.

Sondagem inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas dos 32 segmentos industriais estimou perda de receita anual da ordem de R$ 39 bilhões, ou 0,6% das vendas de fábricas e atividades extrativas, para o crime organizado.

PCC e Comando Vermelho (CV) vêm se aproveitando de brechas regulatórias e baixa fiscalização para diversificar suas atividades em setores econômicos formais, sem abandonar o mercado ilegal de drogas. Na semana passada, os EUA classificaram essas facções como organizações terroristas. A designação deve elevar ainda mais o custo de empresas brasileira para se proteger desses grupos e pode afetar negócios e investimentos.



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Reportagem completa: O Globo