quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Endividamento Explode

 

Taxas do Tesouro disparam, e economistas veem juros 'assustadores' na dívida pública

  • Títulos IPCA+ 2032 saltaram de 7,63% para 8,3% ao ano em menos de 30 dias
  • Especialistas apontam desajuste fiscal e pressões inflacionárias como causas da alta

Os juros que o Tesouro Nacional paga para financiar a crescente dívida pública brasileira seguem disparando e atingindo patamares recordes.

Isso torna mais caro rolar a dívida pública federal de R$ 8,8 trilhões e explicita o temor de investidores quanto à capacidade de pagamento do país num momento em que o presidente Lula (PT) busca a reeleição com uma série de novos gastos.

Em menos de um mês, todas as taxas de juros que o Tesouro paga para a venda de títulos escalaram. Os bastante populares e corrigidos pela inflação com vencimento em 2032 (IPCA + 2032), por exemplo, saltaram de 7,63% ao ano para 8,3%. Para aqueles com vencimento um pouco mais longo (IPCA + 2040), as taxas subiram de 7,15% para 7,65%.


"Há uma combinação de elementos pressionando as taxas: o desajuste fiscal que Lula aprofunda com medidas macro e micro para tentar se reeleger; o choque nos preços do petróleo e a diminuição dos estoques; a expectativa de aumento dos alimentos com a chegada do El Niño; e a tramitação do fim da escala 6x1, que trará pressões para as empresas", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Tudo isso pressiona a inflação e pode levar o Banco Central a retardar o ciclo de queda nos juros —a Selic está em 14,5% ao ano. Vale afirma que o desequilíbrio fiscal pesa particularmente.

"Enquanto o governo projeta um superávit primário [receitas menos despesas, sem contar juros] de R$ 8 bilhões para 2027, o mercado conta com um déficit de R$ 130 bilhões. Se não houver um ajuste, o quadro vai se agravando", diz. A discrepância seria resultado de receitas superestimadas e projeção de aumento de despesas irrealista, além de uma série de gastos que não entraria formalmente na meta fiscal.


Folha SP

terça-feira, 9 de junho de 2026

Floriano Peixoto

 Floriano Peixoto governou o Brasil de 1891 a 1894 e é frequentemente classificado como um ditador por historiadores devido ao seu autoritarismo, centralização de poder e repressão a opositores. Conhecido como "Marechal de Ferro", ele assumiu o poder após a renúncia de Deodoro da Fonseca e recusou-se a convocar novas eleições, violando a Constituição da época.

Para entender melhor as controvérsias sobre ele ter sido um consolidador da República ou um ditador:

A ascensão e o autoritarismoViolação constitucional: A Constituição de 1891 determinava que, como o presidente renunciou antes da metade do mandato, novas eleições diretas deveriam ocorrer. Floriano ignorou o artigo e manteve-se no cargo.

Repressão à oposição: Floriano fechou o cerco contra adversários políticos, trocou governadores de estados para garantir apoio e prendeu generais que assinaram um manifesto exigindo novas eleições.

Rebeliões durante o governo. Seu mandato foi marcado por duas grandes crises militares que exigiram mão de ferro: Revolta da Armada: Conflito em que a Marinha do Brasil se rebelou contra o Exército no Rio de Janeiro. Floriano reprimiu o movimento com extrema violência. Revolução Federalista: Guerra civil sangrenta deflagrada no Sul do país, onde Floriano combateu os federalistas gaúchos que se opunham ao seu centralismo e ao modelo republicano.

O Culto à Personalidade

Apesar de governar de forma ditatorial, Floriano Peixoto gozava de imensa popularidade entre as camadas médias e setores urbanos, que o viam como a figura necessária para manter a ordem e a unidade do país em um momento de extremo caos. Ele é o primeiro caso histórico de um presidente no Brasil a criar um forte culto à personalidade


Gemini.

Maioridade Penal

 

Comissão da Câmara deve votar redução da maioridade penal para 16 anos e aumentar pressão sobre governo na segurança pública

PT se posiciona historicamente contra a proposta; texto já tem parecer favorável do relator 



A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O parecer do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), é favorável ao andamento da matéria.

A CCJ é o primeiro passo da tramitação dentro da Câmara, sendo o colegiado responsável por verificar a constitucionalidade das propostas. Caso seja aprovada pelos membros, a PEC deve seguir para uma comissão especial, que ficará responsável por analisar o mérito da proposta antes de eventual votação pelo plenário da Câmara.

Apresentada pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) em 2015, a proposta estabelece que “a maioridade é atingida aos dezesseis anos”, idade a partir da qual a pessoa passaria a ser considerada penalmente imputável.


O Globo







segunda-feira, 8 de junho de 2026

AS Acusações do Governo Americano ao Brasil

 


O governo Trump acusa o Brasil de adotar práticas comerciais injustas, o que levou à proposta de impor uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. As principais motivações dessa retaliação englobam regulação tecnológica, disputas no setor de pagamentos, políticas de energia e questões ambientais: [

  • Sistema de Pagamentos (Pix): Os Estados Unidos acusam o Banco Central brasileiro de atuar simultaneamente como regulador e operador do Pix, o que alegam criar um conflito de interesses que prejudica as empresas americanas de serviços de pagamento eletrônico. 
  • Comércio Digital e Big Techs: O governo norte-americano critica decisões judiciais brasileiras que exigiram a remoção de conteúdos e perfis em plataformas de mídia social — com multas e restrições a pagamentos —, o que consideram uma restrição ao comércio e à operação de empresas norte-americanas. 
  • Mercado de Etanol: O governo Trump alega falta de reciprocidade e a interrupção de um tratamento tarifário equilibrado por parte do Brasil, dificultando a entrada do etanol norte-americano no mercado nacional. 
  • Proteção Ambiental: Há fortes críticas sobre a incapacidade histórica do Brasil em coibir o desmatamento ilegal, o que os Estados Unidos interpretam como uma vantagem injusta de mercado para produtos brasileiros associados a essa cadeia. 
Essa retaliação baseia-se em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), resultando na recomendação de sobretaxas que afetam setores como químicos, calçados e manufaturados, enquanto poupam itens como café e carne bovina


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pesquisa do Gemini

Plano da China por autossuficiência Alimentar

 

Plano da China por autossuficiência alimentar ameaça o agro brasileiro

  • País asiático quer reverter déficit agrícola de US$ 124,5 bi; Ministério da Agricultura e Pecuária não comenta
  • Brasil fornece mais de 60% de toda a soja importada por Pequim e cerca de 40% de sua carne bovina

  • O agronegócio brasileiro, um dos pilares da estabilidade econômica do país, enfrenta hoje uma ameaça estrutural inédita, algo que pode redesenhar o comércio global nas próximas décadas.

    O Brasil tem uma dependência crítica e concentrada do mercado chinês, que é o destino de 71% das exportações nacionais de soja e 54% da carne bovina. Sozinho, o país fornece mais de 60% de toda a oleaginosa importada por Pequim e cerca de 40% de sua carne.

    No entanto, a China decidiu que essa dependência é um risco intolerável para sua segurança nacional e acionou um plano para reduzir suas compras externas. As medidas estão delineadas no recém-publicado 15º Plano Quinquenal chinês 2026-2030.

  • A projeção central é que a demanda chinesa por importação de soja caia 25% até 2030, o que representa um corte de 23,5 milhões de toneladas. O volume equivale a quase um terço de tudo o que o Brasil exportou para a China em 2024.



quarta-feira, 3 de junho de 2026

A Marca Bolsonaro

 De bananada a arma de fogo: Michelle é autora de mais de 70 pedidos de registro de marcas com o nome Bolsonaro

Em março, PL Mulher afirmou que pedidos foram feitos para impedir que nomes sejam usados 'para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos' pelo casal

Os pedidos abrangem uma gama ampla de produtos, que incluem cosméticos, café, coleiras, alimentos para animais, bananada, facas, bolsas de couro, instrumentos musicais, bebidas alcóolicas, armas de fogo. Além de "Jair Bolsonaro" e "Michelle Bolsonaro", consta na base de dados do Inpi pedidos para produtos batizados de "Bolsonaro", "Bolsomito" e "Bolsonaro Mito".

A maioria dos pedidos feitos por Michelle data de 2024. Desde então, alguns já foram confirmados e outros seguem em andamento. Em 2026, a ex-primeira-dama obteve a titularidade de marcas como "Jair Bolsonaro" para perfumes e "Michelle Bolsonaro" para artigos de joalheria.

Nem sempre, no entanto, a ex-primeira-dama tem sucesso. No dia 2 de junho, o Inpi indeferiu um pedido de registro para itens como bolsas de couro. Na justificativa, consta que ela "não exerce atividade lícita e efetiva compatível com os produtos/serviços reivindicados". Em relação ao pedido de registro da marca "Bolsomito" para produtos descritos como "armas de fogo; explosivos; fogos de artifício; munições", ela enfrenta problema similar. O órgão solicitou que a ex-primeira-dama comprove atuação na exploração comercial desse tipo de produto, regulado por norma especial e que depende de autorização do Comando do Exército.

O registro de uma marca não significa que o autor tem interesse imediato na exploração comercial do produto. A busca pela titularidade de uma marca no Inpi pode fazer parte de uma estratégia de proteção dos donos. Em nota divulgada em março, o PL Mulher afirmou que pedidos foram feitos para "impedir que o nome de Michelle ou de Jair Bolsonaro sejam utilizados para venda de produtos que não condizem com os valores e princípios defendidos por ambos".

O nome da família é explorado na comercialização de produtos ao menos desde 2024. Naquele ano, o maquiador Agustin Fernandez, amigo de Michelle, colocou a venda em seu site um perfume batizado com o nome do ex-presidente. No momento, o produto consta como esgotado. Em 2024, Eduardo Bolsonaro passou a ser titular da marca de vinhos "Bolsonaro 'Il Mito'", que já havia sido registrada por empresários. Em maio, o irmão do ex-presidente, Renato Bolsonaro, que é pré-candidato a deputado federal por São Paulo, registrou a marca "Clube Bolsonaro" para itens de vestuário.


O Globo

Mudança de Discurso de Flávio Bolsonaro

 

Flávio 'troca' discurso no tarifaço, deixa STF fora e vai reforçar críticas a Lula por temor de desgaste com mote da soberania

Publicações do senador durante a crise de 2025 tinham como alvo Moraes, Supremo e julgamento de Bolsonaro; agora, estratégia é focar no presidente para evitar monopólio da narrativa


Ao reagir à nova proposta dos Estados Unidos para impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma estratégia diferente daquela utilizada durante a crise comercial de 2025. Se no ano passado suas manifestações associavam as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Alexandre de Moraes e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista, agora o presidenciável tem concentrado seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e buscado reforçar o discurso ligado à soberania nacional e à defesa das empresas brasileiras.

A mudança ocorre em meio à avaliação de aliados de que a crise diplomática do ano passado acabou fortalecendo Lula politicamente ao permitir que o petista se apresentasse como principal defensor da soberania nacional diante das pressões americanas, o que acabou servindo como capital político ao petista em um momento em que enfrentava forte rejeição do seu governo. A preocupação da pré-campanha de Flávio, nesse caso, é evitar que o mesmo roteiro se repita neste ano.

Na terça-feira, logo após as primeiras notícias de possível nova taxa dos EUA, Flávio afirmou que pediu diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump para que não impusesse tarifas sobre as empresas brasileiras. Já durante a tarde, também enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas e passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar “de igual para igual” com os Estados Unidos.

A estratégia contrasta com o discurso adotado pelo senador durante o primeiro tarifaço anunciado por Trump, em julho de 2025.


O Globo

Novas Tarifas do Governo Trump

 Os Estados Unidos estão propondo tarifas de 10% a 12,5% sobre importações da maioria de seus principais parceiros comerciais após uma investigação sobre produtos supostamente fabricados com trabalho forçado, enquanto o presidente Donald Trump busca reconstruir a ampla barreira tarifária derrubada pela Suprema Corte dos EUA. Na lista divulgada há pouco está o Brasil.

A alíquota de 10% seria aplicada às importações provenientes de Canadá, México, União Europeia, Taiwan e Reino Unido, entre outros locais, segundo comunicado do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

Produtos de outras grandes economias, incluindo Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Suíça, estariam sujeitos a uma tarifa de 12,5%.     

O órgão de comércio afirmou que está impondo a taxa menor a produtos de economias que já adotam proibições à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado ou que se comprometeram a fazê-lo. Já os países que “falharam em impor e aplicar de forma efetiva” essas restrições receberam a tarifa mais elevada.

Na terça-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. Conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a medida abre uma nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção de sanções comerciais.

— O fracasso de nossos mais importantes parceiros comerciais em enfrentar a importação de produtos feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são obrigados a competir globalmente em condições desiguais — afirmou o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado. — Não toleraremos mais essa disparidade.


O Globo





terça-feira, 2 de junho de 2026

Flávio Promete Cortas Gastos e Manter Programas Sociais

 A investidores, Flávio promete cortar gastos, mas manter programas sociais

Nas relações exteriores, pré-candidato disse que optaria pelo pragmatismo, com diálogo dos EUA à China

O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, participou de evento realizado na capital paulista nesta quarta-feira (11) e apresentou diretrizes econômicas de suas campanha. O centro da agenda será corte de gastos e impostos, além de privatizações, e “pragmatismo” nas relações exteriores.

Aos empresários, Flávio definiu parte de sua agenda como um “tesouraço”, que visaria a redução da burocracia, das despesas públicas e da carga tributária. O senador não indicou, porém, quais gastos ou impostos cortaria.

Para o parlamentar, não é possível adotar medidas de grande impacto em programas sociais.

“Programas como o Bolsa Família serão mantidos enquanto as pessoas precisarem. Mas vamos mostrar, como o presidente Bolsonaro mostrou, que essas pessoas podem caminhar com as próprias pernas sem depender do Estado”, disse.

CNN Brasil

Proposta de Mudança na Lei Antiterrorismo

 

Após decisão dos EUA, oposição quer enquadrar facções na Lei Antiterrorismo

Deputados do PL querem a reclassificação de terrorismo no Brasil e a proibição da entrada de pessoas ligadas a organizações criminosas no país


No dia seguinte à classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, deputados da oposição protocolaram projetos de lei que tratam sobre a forma que o Brasil tem de enfrentar o terrorismo de forma interna.

Um dos projetos, apresentado pelo general Eduardo Pazuello (PL-RJ), propõe uma mudança na Lei Antiterrorismo, de 2016, para incluir ataques cibernéticos entre as condutas tipificadas como terrorismo e revogar um trecho que atualmente protege manifestações políticas, sindicais e movimentos sociais de enquadramento automático na legislação.

Pelo texto, o crime de terrorismo deixaria de ser caracterizado apenas por atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, como é atualmente. A proposta prevê que o terrorismo pode ser praticado por motivações “políticas, religiosas ou sociais”, desde que tenha como objetivo intimidar gravemente a população, constranger o poder público ou desestabilizar estruturas políticas, constitucionais, econômicas ou sociais do país.


CNN Brasil


Dark House

 Operação que mirou produtora de ‘Dark Horse’ gera incômodo nos bastidores da prefeitura de SP

Prefeito evitou fazer críticas diretas, mas sugeriu eventual teor político na ação da Polícia Civil; nos bastidores, aliados falam em 'fogo amigo'


A operação deflagrada nesta segunda-feira (1º), que mirou o contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a uma ONG da mesma dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, causou incômodo na gestão Ricardo Nunes (MDB) e críticas, nos bastidores, à atuação da Polícia Civil de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Aliados do prefeito afirmam que a busca e apreensão na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia teria sido “desnecessária e midiática”, porque o contrato com o Instituto Conhecer Brasil (IBT) e as respectivas prestações de contas da entidade já eram públicos.

O instituto, que tem Karina Ferreira da Gama como dona, a mesma da produtora Go Up Entertainment — responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro (PL), tem um contrato de R$ 108 milhões com a pasta para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da periferia paulistana.

Segundo pessoas próximas a Nunes, a situação pegou o prefeito de surpresa, principalmente por ter vindo da polícia estadual. Ao se manifestar sobre o caso, o prefeito chegou a sugerir uma eventual conotação política na ação e ele questionou “por que só agora essa questão?”.


O Globo

Novo Tarifaço: Pix e Decisões do STF na Mira do Governo Trump

 Pix, decisões do STF, etanol: os pontos criticados pelos EUA para impor novo tarifaço de 25% ao Brasil

Relatório do governo Trump cita decisões judiciais, sistema de pagamentos, corrupção e barreiras comerciais para propor sobretaxa sobre produtos brasileiros


O governo dos Estados Unidos elevou a pressão sobre o Brasil ao concluir uma investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.

O relatório final foi divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, e classifica uma série de atos, políticas e práticas brasileiras como "irracionais" ou capazes de restringir o comércio norte-americano.

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento já utilizado em disputas comerciais contra a China.

Embora as negociações entre os governos de Washington e Brasília continuem em andamento, o documento mostra que permanecem divergências relevantes em temas que vão muito além do comércio tradicional.

Pix e decisões judiciais entram na mira

Entre os principais pontos apontados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.

Os EUA também questionam decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais. O documento afirma que autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de residentes nos Estados Unidos.

Embora o relatório não cite nominalmente ministros, as críticas atingem decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos anos envolvendo plataformas digitais e moderação de conteúdo.

Etanol volta ao centro da disputa

Outro ponto de atrito é o mercado de etanol. Os americanos alegam que o Brasil abandonou, em 2017, uma política de reciprocidade tarifária que favorecia o comércio bilateral do combustível.

Na avaliação do USTR, as exportações americanas de etanol enfrentam hoje condições menos favoráveis do que as concedidas anteriormente pelo governo brasileiro. O tema é considerado estratégico para estados produtores de milho dos EUA, base da produção de etanol americana.  


Lava Jato e corrupção aparecem no documento

O relatório também dedica um capítulo ao combate à corrupção. Os Estados Unidos afirmam que o Brasil não adota medidas suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção empresarial.

Como exemplo, o documento cita decisões do STF que anularam processos da Operação Lava Jato e menciona renegociações de acordos de leniência classificadas pelos americanos como pouco transparentes.

A conclusão da investigação representa um revés para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha apostando em negociações diretas com a Casa Branca para evitar novas barreiras comerciais.

O Globo


Novo Tarifaço

 

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil após conclusão de investigação comercial

Escritório do Representante de Comércio americano conclui processo aberto por Donald Trump, aponta práticas 'irrazoáveis' do governo brasileiro e abre consulta pública antes de eventual adoção de sanções


O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. Conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a medida abre uma nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção de sanções comerciais.

A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual aplicação das medidas corretivas termina em 15 de julho de 2026.

A proposta prevê tarifa de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras, embora o documento inclua 73 páginas de exceções. Entre os produtos que permaneceriam isentos estão materiais informativos, doações, determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.

A conclusão da investigação ocorreu dentro do prazo previsto para negociações do grupo de trabalho criado por Brasil e Estados Unidos para tratar de temas comerciais e evitar novas tarifas. Segundo integrantes das conversas citados pelo blog do jornalista Valdo Cruz, as negociações previstas para terminar em 5 de junho não registraram avanços suficientes para serem encerradas.

O grupo bilateral foi instituído após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, na Casa Branca. Antes da divulgação do parecer final, o USTR havia celebrado nas redes sociais o "engajamento construtivo" do governo brasileiro e manifestado expectativa de continuidade das discussões comerciais.


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publicado em O Globo



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Terrorismo de Facções

 

Após crise sobre Vorcaro afastar até aliados, Flávio vê direita se reaproximar com medida dos EUA contra facções

Trunfo na pauta da segurança pública, cara à direita, trouxe um fôlego extra ao postulante ao Planalto junto a nomes de peso do segmento



Após enfrentar a maior turbulência de sua pré-campanha ao Palácio do Planalto com a revelação das conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora tenta capitalizar a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como terroristas. Se a crise anterior levou até mesmo aliados como Tarcísio de Freitas (Republicanos) a manterem uma distância estratégica, o trunfo na pauta da segurança pública, cara à direita, trouxe um fôlego extra ao parlamentar junto a nomes de peso do segmento.


Além do governador de São Paulo, até mesmo rivais na corrida pela Presidência da República, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), reviram o próprio o tom. Nos últimos dias, ambos substituíram por elogios as críticas diretas por conta dos pedidos a Vorcaro para que financiasse um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No caso de Tarcísio, nas palavras de um aliado, havia, até então, o receio de se “contaminar” com “encrencas de terceiros”. A postura, que mirava sobretudo a disputa interna em São Paulo, na qual o postulante à reeleição tem como principal adversário o ex-ministro Fernando Haddad (PT), gerou novos questionamentos dentro do bolsonarismo, que regularmente enxerga movimentos dúbios do governador em relação ao grupo político do ex-presidente.

Em duas oportunidades, sempre que questionado por jornalistas, Tarcísio chegou a dizer que Flávio deveria prestar todos os esclarecimentos necessários sobre a verba repassada por Vorcaro à cinebiografia “Dark horse”, que tratará da vitória de Bolsonaro nas urnas em 2018. Em paralelo, o governador paulista — embora tenha recebido telefonemas com essa cobrança, segundo interlocutores — não fez endosso público à defesa apresentada pelo senador, que negou irregularidades nas transações e sustentou tratar-se de um financiamento privado para uma obra privada.




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publicado em O Globo



A Qualidade de Ensino no Rio de Janeiro

 



As contas fluminenses para a educação estão no azul. A qualidade segue no vermelho. O estado lidera os gastos com ensino público no Brasil, mas é o penúltimo no indicador que mede a qualidade da aprendizagem no país, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os números das movimentações financeiras vêm do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos na Educação (Siope) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a comparação é resultado de um levantamento do Movimento EducAçãoRio. Em território fluminense, gasta-se R$ 19.580 por aluno ao ano. O valor é 83% mais alto que o de Goiás, que ocupa o topo da tabela do Ideb com o melhor ensino e, segundo o que é declarado ao mesmo sistema, gasta R$ 10.704.


— O estado tem um papel muito importante, tanto na entrega de educação pública quanto na indução, ou seja, na qualificação dos municípios para entregar qualidade. O Ideb é publicado a cada dois anos. Nosso último indicador mostra que o estado está em penúltimo lugar. Apesar de a gente ter o segundo maior PIB do Brasil, quando se fala de educação a relação se inverte — diz Carla Jucá, diretora-executiva do Movimento EducAçãoRio, que contou com a parceria da Falconi Consultoria no levantamento.

Cada unidade federativa declara quanto destina para a pasta. O levantamento revela ainda que as despesas correntes, informadas pelo estado do Rio, avançaram em mais de 110% em cinco anos.

— Esse investimento não chegou na valorização dos professores e nem na sala de aula — frisa a diretora.


No mês passado, um diretor denunciou à Polícia Federal que o deputado estadual Thiago Rangel (que está preso) o pressionava para que R$ 200 mil fossem desviados de uma escola do Noroeste do Rio para financiar a campanha de sua filha em 2024. Outro escândalo foi a confirmação, pelo governador interino, Ricardo Couto, que funcionários fantasmas recebiam como servidores. Enquanto isso, professores do estado dizem amargar anos a fio sem aumento significativo no salário-base.

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Matéria completa: O Globo