domingo, 31 de maio de 2026

Império Militar Cubano Na Mira

 Império militar na mira: Pressão sobre conglomerado cubano levanta debate sobre interesses dos EUA na ilha

Poucos meses após a captura de Nicolás Maduro por Washington, as movimentações recentes também levantam questões sobre até que ponto o modelo aplicado em Caracas pode ser reproduzido com sucesso em Havana

Por Amanda Scatolini


A pressão americana sobre Cuba nos últimos meses levou a ilha caribenha a uma crise sem precedentes, com apagões prolongados, escassez de combustível e uma população cada vez mais vulnerável. Agora, o novo capítulo na estratégia de Washington contra o governo cubano, somado ao indiciamento do ex-presidente Raúl Castro, também passa pela Gaesa, o megaconglomerado militar responsável por administrar entre 40% a 70% da economia do país. Poucos meses após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, as movimentações recentes levantam questões sobre os interesses da administração de Donald Trump no país e sobre até que ponto o modelo aplicado em Caracas pode ser reproduzido com sucesso em Havana.

A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S.A) virou alvo de Trump em maio, após uma nova ordem executiva que ampliou as sanções contra o país. A medida também teve como alvo sua diretora, a brigadeira-general Ania Guillermina Lastres Morera, entre outras empresas e pessoas ligadas ao grupo.

A Casa Branca argumenta que a pressão tem como objetivo "promover a liberdade econômica e a democracia" na ilha caribenha, culpando o grupo pela crise no país. "Enquanto o povo cubano sofre com a fome, doenças e o subinvestimento crônico em infraestrutura crítica, como a rede elétrica, grande parte dos lucros das atividades da Gaesa é desviada para contas bancárias secretas no exterior", declarou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, em um comunicado no início do mês.

Criada na década de 1990 sob controle das Forças Armadas, a Gaesa administra desde hotéis e resorts até portos, bancos, remessas financeiras, telecomunicações, logística, comércio varejista e construção civil na ilha. Pouco se sabe, porém, sobre sua estrutura interna e até onde se estendem os seus braços na economia cubana. O grupo não presta contas publicamente nem à Assembleia Nacional, sendo raramente mencionado até mesmo pela imprensa estatal — uma busca no jornal oficial Granma durante a apuração desta reportagem não retornou nenhuma referência direta ao conglomerado ao longo da última década.

No caso venezuelano, os EUA conseguiram explorar as divisões internas dentro do chavismo, encontrando interlocutores interessados em negociar. Em Cuba, porém, não existe nem uma oposição organizada de peso, como a liderada por María Corina Machado, nem figuras equivalentes ao papel exercido por Delcy Rodríguez, vice de Maduro que assumiu a Presidência interina após sua captura.

— Não há figuras reformistas dentro do aparato de poder, é um sistema muito mais unificado — explica ao GLOBO a socióloga cubana Marlene Azor. — Os reformistas foram caindo pouco a pouco. A concentração de poder em Cuba é maior, e o número de pessoas no topo do poder é muito menor do que na Venezuela.


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Reportagem completa: O Globo

A Infiltração das Facções No Setor Formal

 Infiltração de facções no setor formal tira R$ 39 bilhões da indústria por ano e eleva risco de sanção americana

Avanço sobre atividades lícitas assusta empresários e autoridades. No Rio, Coaf identificou R$ 44 bi em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses

Pejotização' do crime: infiltração de facções no setor formal tira R$ 39 bi da indústria por ano e eleva risco de sanção dos EUA

Avanço sobre atividades lícitas assusta empresários e autoridades. No Rio, Coaf identificou R$ 44 bi em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses

Uma rede de 60 motéis no interior de São Paulo chamou a atenção de autoridades pela aquisição de bens inusitados: um iate de 23 metros, um helicóptero, uma Lamborghini e mais de R$ 20 milhões em terrenos. Com faturamento de R$ 450 milhões em quatro anos, a distribuição de lucros ainda engordou o caixa dos sócios em R$ 45 milhões. Operação policial revelou que a rede fazia parte dos negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC), assim como lojas de franquias e empreendimentos imobiliários. Outra investigação mostrou que empresas com envolvimento com a facção criminosa paulista passaram a controlar um dos terminais do porto de Paranaguá (PR), um dos maiores do país. O espaço tem cerca de 85 mil metros quadrados e 18 tanques para armazenagem de granéis líquidos. Os exemplos evidenciam um fenômeno ganha escala no país: a infiltração do crime organizado na economia legal. Afeta vários setores e já chega à indústria, que responde por um quinto da riqueza do país.

Sondagem inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas dos 32 segmentos industriais estimou perda de receita anual da ordem de R$ 39 bilhões, ou 0,6% das vendas de fábricas e atividades extrativas, para o crime organizado.

PCC e Comando Vermelho (CV) vêm se aproveitando de brechas regulatórias e baixa fiscalização para diversificar suas atividades em setores econômicos formais, sem abandonar o mercado ilegal de drogas. Na semana passada, os EUA classificaram essas facções como organizações terroristas. A designação deve elevar ainda mais o custo de empresas brasileira para se proteger desses grupos e pode afetar negócios e investimentos.



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Reportagem completa: O Globo

Angra dos Reis começa a cobrar taxa de visitantes neste segunda-feira

 




Passear por Angra dos Reis — para admirar a cidade ou conhecer as praias da Ilha Grande — vai sair mais caro para os visitantes. Amanhã, cinco meses depois do previsto (1º de janeiro), entra em vigor a chamada Taxa de Turismo Sustentável (TTs). A prefeitura alega que a tarifa vai gerar recursos para investimentos em infraestrutura, mas a cobrança causa controvérsia entre moradores e operadores de turismo.

Pela regra original, quem desembarcasse em uma das 365 ilhas do município até janeiro de 2027 teria que pagar 10 Ufirs (R$ 49,60) por até 24 horas de permanência e uma Ufir (R$ 4,96) por cada dia a mais de visita, além de uma taxa de serviço de 12% (sobre o total) pela emissão da autorização. Caso o embarque se desse em Conceição de Jacareí ou Mangaratiba, o valor dobraria. Agora, o preço mínimo começa em 5 Ufirs (R$ 24,80) para quem chega em Angra e faz um bate e volta às ilhas; ou 9 Ufirs (R$ 44,64) se chegar por outra cidade, mais a taxa de 12%.



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publicado em O Globo

sábado, 30 de maio de 2026

Streaming Brasileiro

 




O presidente Lula, com o diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura - Adriano Machado/Reuters


Governo lança o Tela Brasil, streaming grátis com filmes e séries; saiba como usar

Site já está no ar, com mais de 560 obras audiovisuais; app para celulares ainda não está disponível

Acervo inclui trabalhos indicados ao Oscar e clássicos


A plataforma Tela Brasil, novo serviço público de streaming dedicado exclusivamente ao audiovisual brasileiro, foi lançado, neste sábado (30), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante o Rio2C, no Rio de Janeiro.

A proposta é ampliar o acesso da população à produção audiovisual nacional por meio de uma plataforma de vídeo sob demanda integrada ao Gov.br. Ela já está no ar, no site telabrasil.cultura.gov.br.

Basta entrar e fazer o login usando os dados do cadastro Gov.br. É possível personalizar o perfil do espectador, definindo gêneros de preferência e a classificação indicativa. É preciso ainda definir uma senha PIN para acessar os conteúdos e salvar mudanças nas configurações.

Nesta primeira fase, há títulos como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) e "A Idade da Terra" (1980), de Glauber Rocha —em cópias restauradas—, "A Hora da Estrela" (1985), de Suzana Amaral, "O Que é Isso, Companheiro"? (1997), de Bruno Barreto, "Qual Queijo Você Quer?" (2011), de Cíntia Domit Bittar, "O Menino e o Mundo" (2013), de Alê Abreu, "Refavela 40" (2019), de Mini Kerti, e tantos outros.


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publicado em Folha SP


PSD e Kassab

 




PSD discute lançar Kassab como vice de Caiado para frear aliança com Zema

Presidente do PSD se coloca à disposição, mas diz ser preciso buscar acordos e que palavra final será de ex-governador de Goiás

Partido quer evitar que presidenciável do Novo seja cabeça de chapa em possível união que começou a ser negociada

Integrantes do PSD discutem lançar o presidente do partido, Gilberto Kassab, como vice na chapa de Ronaldo Caiado na disputa ao Palácio do Planalto, na tentativa de frear a movimentação por uma aliança que teria Romeu Zema (Novo) como cabeça da chapa.

A articulação para emplacar Kassab como vice de Caiado foi revelada na Jovem Pan por Dora Kramer, colunista da Folha.

No começo da tarde deste sábado (30), Kassab confirmou a indicação de colegas por meio de uma publicação em suas redes sociais, mas disse não haver nenhuma definição. Ele disse se sentir "honrado com as manifestações dos companheiros" e se colocou à disposição, mas afirmou ser preciso buscar acordos e que a palavra final caberá ao ex-governador de Goiás, "depois de ouvidas todas as instâncias partidárias e o conjunto de nossas forças apoiadoras".

"Mesmo já tendo afirmado que uma candidatura chapa pura pode ser uma hipótese concreta, entendo que muitas etapas e entendimentos precisam ser cumpridos, dentro e fora do nosso partido, até que seja tomada uma decisão sobre o perfil da nossa chapa", disse.


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publicado em Folha SP


Fim da Escala 6 x 1

 

Fim da escala 6x1 põe Brasil na marcha a ré

  • Redução de jornada e ampliação do MEI são o contrário do que o país precisa
  • Com facilidade desmontam-se instituições para atender a lobbies e ganhar voto
Por

Marcos Mendes

Pesquisador associado do Insper, é organizador do livro 'Para não esquecer: políticas públicas que empobrecem o Brasil'


Duas condições necessárias para que o Brasil tenha chance de crescer mais rápido e oferecer uma vida mais próspera à população são o aumento da produtividade e o ajuste das contas públicas. Sem isso, vamos continuar investindo e produzindo pouco, pagando juros altos e tendo salários medíocres.

Na agenda política da semana, triunfou a PEC da redução da jornada, que vai na direção contrária, prejudicando a produtividade e as contas públicas.

A medida principal —limitação da jornada a 40 horas e duas folgas semanais obrigatórias— desmonta acordos eficientes para atividades que requerem turnos específicos e empurra trabalhadores de menor renda e seus empregadores para a informalidade.



Os detalhes da redação são assustadores. Há um cândido dispositivo que estabelece que a nova jornada será implementada sem redução de salários. Isso faz lembrar a velha piada do prefeito que tentou revogar a lei da gravidade, mas não conseguiu por tratar-se de lei federal. A PEC tenta revogar a lei da demanda e da oferta.




Ao se tornarem informais, empresas e trabalhadores passam a ser menos produtivos.

Os detalhes da redação são assustadores. Há um cândido dispositivo que estabelece que a nova jornada será implementada sem redução de salários. Isso faz lembrar a velha piada do prefeito que tentou revogar a lei da gravidade, mas não conseguiu por tratar-se de lei federal. A PEC tenta revogar a lei da demanda e da oferta.

É evidente que a proibição de reduzir salários induzirá empresas a demitir para contratar com salários mais baixos. Mais perda de produtividade pelo rompimento de contratos com trabalhadores já treinados.

Há, também, a nulidade de todos os acordos coletivos no prazo de 60 dias, tempo insuficiente para as empresas reorganizarem escalas e contratarem trabalhadores adicionais.

Os dois pontos vão gerar judicialização e incerteza, mais um veneno para a produtividade.

Esse tema jamais esteve no programa do PT para as eleições. Foi adotado por ter crescido nas redes sociais em ano eleitoral. Pobre do país em que decisões estratégicas de longo prazo são pautadas por trends das redes.

A irresponsabilidade do governo ao priorizar esse assunto rendeu uma conta salgada para o Tesouro. O Congresso aproveitou para introduzir na PEC a possibilidade de aumento do limite de faturamento para inclusão de empresas no MEI e no Simples, sob o argumento de que os empresários precisam ser compensados pelos aumentos de custos.

Ora, os MEIs praticamente não têm empregados. Não são eles os afetados pela redução da jornada. Esse regime foi criado para incluir trabalhadores informais muito pobres na Previdência. Deu errado: acabou servindo para transformar empregados CLT em MEI, para pagar menos Previdência.

Hoje, os MEIs têm renda e escolaridade alta e representam um rombo bilionário na Previdência. A medida correta seria na direção contrária: reduzir o limite do MEI e criar condicionalidades relacionadas a indicadores de pobreza.

Incluir mais empresas no MEI e no Simples, além de agravar o déficit público em pelo menos R$ 20 bilhões por ano, também vai prejudicar a produtividade. As empresas eficientes terão incentivos para ficar pequenas, para não perder o subsídio tributário. As ineficientes vão usar trabalho e capital escasso que poderia estar alocado em outras, mais produtivas.

Paradoxalmente, uma forma de fugir da rigidez da jornada será transformar empregados em MEI, prejudicando os trabalhadores, em vez de beneficiá-los.

Ampliar o MEI e o Simples em uma PEC também permite driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige medidas de compensação ao benefício fiscal concedido.

Com facilidade desmontam-se instituições para atender a lobbies e ganhar votos, sempre com um discurso de que se está promovendo o bem dos pobres contra a ganância dos empresários.

Engatamos a marcha a ré e aceleramos.


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Publicado em Folha SP

A PF NO RIO DE JANEIRO

 




A certeza na cúpula do PL do Rio sobre os próximos alvos da PF no estado

Por Malu Gaspar e Johanns Eller


Após as investigações do Banco Master e do Grupo Refit da Polícia Federal (PF) resultarem em duas operações contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) no intervalo de 11 dias e fulminarem sua pré-candidatura ao Senado Federal, a cúpula do seu partido no estado já está resignada sobre o endereço dos próximos alvos da corporação: a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Integrantes do PL ouvidos sob reserva pela equipe da coluna dão como certo que deputados estaduais suspeitos nos dois inquéritos e também nas apurações sobre a infiltração do crime organizado na máquina estadual receberão visitas da PF nas próximas semanas, o que tem deixado parlamentares bastante apreensivos.

Isso porque não só Castro governou em uma espécie de simbiose com a Alerj, loteando cargos de todos os escalões, mas também tinha como braço-direitos em sua gestão duas peças-chaves da Assembleia.

O primeiro é Rodrigo Bacellar (União Brasil), que presidiu a Casa até ser preso pela PF em dezembro suspeito de envolvimento com o Comando Vermelho e chegou a ser escolhido por Castro e o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, como o candidato governista nas eleições de 2026. Antes de ser alçado ao comando da Casa, ele foi seu secretário de Governo.

O segundo aliado é o atual chefe do Legislativo fluminense, Douglas Ruas (PL), que foi um dos seus secretários mais poderosos à frente da pasta de Cidades e assumiu a candidatura de sucessão a Castro com a prisão de Bacellar.

...

No último dia 5, a Polícia Federal também prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) em um desdobramento da mesma investigação que abateu Bacellar no comando da Alerj. Rangel era suspeito de integrar um esquema de fraudes e superfaturamento de licitações na Secretaria de Educação.


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publicado em O Globo

Trump e Irã

 


Trump diz que está tomando decisão final sobre acordo com Irã

Mídia do país asiático e presidente norte-americano divulgam informações divergentes quanto aos termos das negociações para o fim da guerra


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (29) que tomará uma decisão sobre um possível acordo de paz com o Irã, embora Teerã tenha insistido que ainda "não há um acordo final" para encerrar a guerra no Oriente Médio.

A Casa Branca anunciou o fim de uma reunião realizada pelo presidente para tomar uma decisão, mas não comunicou nenhuma resolução final.

“Agora vou me reunir na Sala de Situação para tomar uma decisão definitiva”, havia dito Trump em uma longa publicação nas redes sociais, na qual reiterava suas exigências de longa data de que o Irã se comprometesse a nunca ter armas nucleares e abrisse o vital Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, no entanto, disse à mídia estatal que a república islâmica "se despediu da linguagem do 'você deve' há 47 anos", após a revolução de 1979.

“Quanto ao entendimento (...) as trocas de mensagens continuam, mas ainda não foi alcançado nenhum acordo final”, acrescentou.


Combates no Líbano

No front libanês da guerra, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que as forças de seu país avançaram mais para dentro do Líbano, mesmo enquanto delegações militares de ambos os países mantinham em Washington históricas conversas sobre segurança.

O chefe de governo disse que as tropas haviam cruzado o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira entre Líbano e Israel, e estavam "atingindo" o Hezbollah.

Israel também manteve um intenso bombardeio no sul do Líbano, cujo presidente, Joseph Aoun, enfatizou em uma ligação com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, "a necessidade de empregar todos os esforços para alcançar um cessar-fogo" como passo inicial essencial.


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Publicado em O Dia

PCC E CV TERRORISTAS

 


Lula tenta neutralizar ataque de Flávio Bolsonaro ao chamar CV e PCC de terroristas

  • Declaração nasce da premissa de que facções praticam o terror na opinião da população
  • Fala do presidente nesta sexta surpreendeu dirigentes petistas que apostavam em discurso sobre soberania

  • Reportagem de Catia Seabra, Caio Spechoto,Thaísa Oliveira 

Lula reagiu nesta sexta-feira (29) à decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Ao discursar, afirmou que as facções "são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país".

O uso desses termos parte da perspectiva de que para a população, especialmente de baixa renda, o crime organizado já pratica o terror. O governo poderia ser acusado de defender criminosos caso simplesmente alegasse que essas facções não se enquadram no conceito clássico de organização terrorista.

Com essa leitura, já na noite de quinta-feira (28), após anúncio da classificação americana, Lula avisou a auxiliares que declararia que PCC e CV são terroristas para o povo pobre e que vêm sendo combatidas internamente. Ele também acusou Flávio Bolsonaro de traição, o que repetiu, publicamente, no dia seguinte.


O grupo político do senador contava que o governo fosse defender sua posição contrária à classificação das facções como terroristas para que pudessem afirmar que Lula defende criminosos. O presidente criticou a classificação feita pelos Estados Unidos, mas tentou não deixar esse flanco aberto para ataques.

"Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país eles são terroristas", disse em discurso em Sergipe nesta sexta-feira (29). "São terroristas e nós vamos combater aqui dentro", afirmou.

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publicado na Folha SP



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Pix, vistos de viagem, big techs: entenda todos os possíveis impactos da designação de CV e PCC como terroristas


Efeitos mais imediatos tendem a ser sentidos no sistema financeiro, podendo atingir até mesmo instituições sem qualquer contato direto com as facções

Por Felipe Vidon — São Paulo


Os efeitos mais imediatos tendem a ser sentidos no sistema financeiro, podendo atingir até mesmo instituições sem qualquer contato direto com as facções. 

A designação divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA será dupla e escalonada, com uma classificação que já tem força de lei, e outra que entra em vigor no dia 5 de junho. As duas categorias — Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT, na sigla em inglês) e Organização Terrorista Estrangeira (FTO, idem) — são instrumentos jurídicos distintos com consequências complementares.

A primeira, gerida pelo Departamento do Tesouro, mira o dinheiro com o congelamento de ativos e corte do acesso ao sistema financeiro em dólar. A segunda, prerrogativa exclusiva do secretário de Estado, criminaliza qualquer forma de apoio às organizações listadas e transfere o combate às facções para uma esfera jurídica muito mais abrangente do que a segurança pública convencional.


Investigações

A designação como FTO retira o combate ao PCC e ao CV do registro estrito da segurança pública e o insere em um universo jurídico mais amplo, com instrumentos mais poderosos. Com a classificação, agências como a CIA e o Pentágono passam a ter autorização legal para tratar as facções brasileiras como alvos de inteligência e, em tese, de operações militares, o mesmo enquadramento que os EUA usaram para justificar ações em outros países após designações semelhantes.



Cooperação

O saldo nesse quesito depende de como Washington decidir conduzir o processo. No cenário mais favorável, autoridades dos EUA compartilham com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça as informações obtidas sobre redes financeiras, rotas de tráfico e membros de facções, turbinando a capacidade investigativa do Brasil. No menos favorável, dados classificados como secretos reduzem o fluxo de inteligência em vez de ampliá-lo.

Ação militar

A classificação como organização terrorista estrangeira abre, na teoria, espaço jurídico para que as Forças Armadas americanas conduzam operações no Brasil sob o argumento do combate ao terrorismo, como abater aeronaves suspeitas ou interceptar embarcações em águas internacionais. Não há nada que obrigue o Brasil a avalizar tais incursões, mas a experiência de outros países mostra que a designação pode ser usada como justificativa para ações unilaterais.

Pix

O governo Lula teme que a decisão dos Estados Unidos traga riscos até mesmo ao Pix. O receio é relacionado a uma possível alegação por parte de autoridades americanas de que esse tipo de transação facilita a circulação de dinheiro do crime organizado, o que poderia servir de argumento para eventuais sanções a bancos e demais instituições financeiras por onde transitam recursos com a ferramenta.

Setores em alerta

A capilaridade das facções na economia formal também expõe setores específicos a um risco que vai além das multas regulatórias locais. Investigações recentes mostraram infiltração do crime organizado em licitações municipais, frotas de transporte público e contratos de zeladoria em metrópoles como São Paulo.

Big techs


A medida tende a alterar a forma como as gigantes da tecnologia operam no país. As big tech podem, na contramão do que vêm defendendo no Brasil, apertar regras sobre moderação de conteúdo, monitoramento de usuários e compartilhamento de dados de cidadãos brasileiros com autoridades americanas.

Vistos e viagens

Membros do PCC e do CV com conexões comprovadas podem ter vistos negados ou cancelados, ficando sujeitos à expulsão imediata ou à prisão ao tentar entrar em território americano. 


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Matéria publicada No Globo



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Zeca Pagodinho surge de 'pijama fashion' para encarar frio no Rio
Sambista mostrou conjunto estampado que ganhou de Seu Jorge






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Publicado em O Dia



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Rio de Janeiro

Mulher do traficante Rabicó é presa em operação contra braço financeiro do Comando Vermelho


Raquel Neves dos Santos Mendonça foi encontrada no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, área controlada por Antônio Ilário Ferreira






A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira (29), uma operação em diversos municípios do Estado do Rio contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o tráfico de drogas já movimentou mais de R$ 453 milhões. Até o momento, 21 pessoas foram presas, sendo uma delas Raquel Neves dos Santos Mendonça, mulher de um líder da facção, Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó.



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Publicada em O Dia