sábado, 30 de maio de 2026

PCC E CV TERRORISTAS

 


Lula tenta neutralizar ataque de Flávio Bolsonaro ao chamar CV e PCC de terroristas

  • Declaração nasce da premissa de que facções praticam o terror na opinião da população
  • Fala do presidente nesta sexta surpreendeu dirigentes petistas que apostavam em discurso sobre soberania

  • Reportagem de Catia Seabra, Caio Spechoto,Thaísa Oliveira 

Lula reagiu nesta sexta-feira (29) à decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Ao discursar, afirmou que as facções "são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país".

O uso desses termos parte da perspectiva de que para a população, especialmente de baixa renda, o crime organizado já pratica o terror. O governo poderia ser acusado de defender criminosos caso simplesmente alegasse que essas facções não se enquadram no conceito clássico de organização terrorista.

Com essa leitura, já na noite de quinta-feira (28), após anúncio da classificação americana, Lula avisou a auxiliares que declararia que PCC e CV são terroristas para o povo pobre e que vêm sendo combatidas internamente. Ele também acusou Flávio Bolsonaro de traição, o que repetiu, publicamente, no dia seguinte.


O grupo político do senador contava que o governo fosse defender sua posição contrária à classificação das facções como terroristas para que pudessem afirmar que Lula defende criminosos. O presidente criticou a classificação feita pelos Estados Unidos, mas tentou não deixar esse flanco aberto para ataques.

"Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país eles são terroristas", disse em discurso em Sergipe nesta sexta-feira (29). "São terroristas e nós vamos combater aqui dentro", afirmou.

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publicado na Folha SP



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Pix, vistos de viagem, big techs: entenda todos os possíveis impactos da designação de CV e PCC como terroristas


Efeitos mais imediatos tendem a ser sentidos no sistema financeiro, podendo atingir até mesmo instituições sem qualquer contato direto com as facções

Por Felipe Vidon — São Paulo


Os efeitos mais imediatos tendem a ser sentidos no sistema financeiro, podendo atingir até mesmo instituições sem qualquer contato direto com as facções. 

A designação divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA será dupla e escalonada, com uma classificação que já tem força de lei, e outra que entra em vigor no dia 5 de junho. As duas categorias — Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT, na sigla em inglês) e Organização Terrorista Estrangeira (FTO, idem) — são instrumentos jurídicos distintos com consequências complementares.

A primeira, gerida pelo Departamento do Tesouro, mira o dinheiro com o congelamento de ativos e corte do acesso ao sistema financeiro em dólar. A segunda, prerrogativa exclusiva do secretário de Estado, criminaliza qualquer forma de apoio às organizações listadas e transfere o combate às facções para uma esfera jurídica muito mais abrangente do que a segurança pública convencional.


Investigações

A designação como FTO retira o combate ao PCC e ao CV do registro estrito da segurança pública e o insere em um universo jurídico mais amplo, com instrumentos mais poderosos. Com a classificação, agências como a CIA e o Pentágono passam a ter autorização legal para tratar as facções brasileiras como alvos de inteligência e, em tese, de operações militares, o mesmo enquadramento que os EUA usaram para justificar ações em outros países após designações semelhantes.



Cooperação

O saldo nesse quesito depende de como Washington decidir conduzir o processo. No cenário mais favorável, autoridades dos EUA compartilham com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça as informações obtidas sobre redes financeiras, rotas de tráfico e membros de facções, turbinando a capacidade investigativa do Brasil. No menos favorável, dados classificados como secretos reduzem o fluxo de inteligência em vez de ampliá-lo.

Ação militar

A classificação como organização terrorista estrangeira abre, na teoria, espaço jurídico para que as Forças Armadas americanas conduzam operações no Brasil sob o argumento do combate ao terrorismo, como abater aeronaves suspeitas ou interceptar embarcações em águas internacionais. Não há nada que obrigue o Brasil a avalizar tais incursões, mas a experiência de outros países mostra que a designação pode ser usada como justificativa para ações unilaterais.

Pix

O governo Lula teme que a decisão dos Estados Unidos traga riscos até mesmo ao Pix. O receio é relacionado a uma possível alegação por parte de autoridades americanas de que esse tipo de transação facilita a circulação de dinheiro do crime organizado, o que poderia servir de argumento para eventuais sanções a bancos e demais instituições financeiras por onde transitam recursos com a ferramenta.

Setores em alerta

A capilaridade das facções na economia formal também expõe setores específicos a um risco que vai além das multas regulatórias locais. Investigações recentes mostraram infiltração do crime organizado em licitações municipais, frotas de transporte público e contratos de zeladoria em metrópoles como São Paulo.

Big techs


A medida tende a alterar a forma como as gigantes da tecnologia operam no país. As big tech podem, na contramão do que vêm defendendo no Brasil, apertar regras sobre moderação de conteúdo, monitoramento de usuários e compartilhamento de dados de cidadãos brasileiros com autoridades americanas.

Vistos e viagens

Membros do PCC e do CV com conexões comprovadas podem ter vistos negados ou cancelados, ficando sujeitos à expulsão imediata ou à prisão ao tentar entrar em território americano. 


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Matéria publicada No Globo



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Zeca Pagodinho surge de 'pijama fashion' para encarar frio no Rio
Sambista mostrou conjunto estampado que ganhou de Seu Jorge






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Publicado em O Dia



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Rio de Janeiro

Mulher do traficante Rabicó é presa em operação contra braço financeiro do Comando Vermelho


Raquel Neves dos Santos Mendonça foi encontrada no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, área controlada por Antônio Ilário Ferreira






A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira (29), uma operação em diversos municípios do Estado do Rio contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o tráfico de drogas já movimentou mais de R$ 453 milhões. Até o momento, 21 pessoas foram presas, sendo uma delas Raquel Neves dos Santos Mendonça, mulher de um líder da facção, Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó.



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Publicada em O Dia